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Café do Príncipe

Café do Príncipe

Cachoeira do Brás

Hoje eu vim visitar o Café do Príncipe, um café especial produzido no mesmo lugar onde acampei pela primeira vez há quase trinta anos.

Eu tinha cerca de 8 anos de idade quando fiz a trilha da Cachoeira do Brás pela primeira vez.

Me lembro de uma discussão entre meus pais. Um querendo me levar, o outro não queria me deixar ir.

Prevaleceu a vontade do aprendiz de mochileiro.

Eu era uma criança, e no meu primeiro acampamento fui parar no meio do mato lá no alto do Caparaó.

Minha paixão pelo Caparaó não é à toa. Foi nessa trilha que comecei a me tornar o Mochileiro que sou hoje.

Ouvi bichos rondando a barraca a noite inteira e tive muito medo. Mas as noites passavam, elas sempre passam, e o cheiro de café que adentrava a barraca pela manhã era a certeza de ter sobrevivido a mais uma noite.

Eu era um aprendiz de mochileiro nem tão corajoso, confesso!

Durante o dia subíamos e descíamos as corredeiras do Brás. A noite, meu pai ligava seu velho rádio a pilhas (que ele trazia ainda dos tempos de serviço no 38o BI), e enquanto ele acendia o fogareiro pra fazer a janta, eu catava pedaços de pau pra fazer a fogueira.

Quando a contação de histórias começava, eu já estava aquecido e alimentado. Sem dúvida nenhuma foram noites inesquecíveis.

Quase trinta anos depois, voltei ao mesmo local, agora sem meu pai, que foi fazer a trilha dos céus já há algum tempo.

A terra em que estou pertence ao Emílio e a Crystina Horsth, donos do Café do Príncipe, um café especial colhido aos pés da Pedra da Samena, e servido pelas mãos de uma tradicional família de produtores de café.

Conversando com Emílio sobre a crescente demanda de turismo na região, ele me disse: Ulisses, isso começou com seu pai.

A trilha e a cachoeira do Brás estão praticamente intocados pelo grande público. As estradas estão tomadas pelo mato por todos os lados, e muita, muita água desce rio abaixo!

A água continua tão gelada quanto me lembro. A sensação de isolamento total do mundo também é a mesma.Estar aqui depois de tanto tempo me dá a certeza de que neste mundo não somos nada além daquilo que vivemos e experimentamos.

Portanto, meu conselho a você é, vá provar um café especial na cafeteria do Emílio e da Crystina, vá fazer aquela trilha e descansar sob a Pedra do Salão, contemplar a grandeza da Pedra da Samena e se banhar na Cachoeira do Brás.

Vá! Porque daqui a trinta anos você vai olhar pra trás e só vai ver aquilo que você viver hoje, aquilo que experimentar, e aquilo que te fizer sonhar de novo. Mas lembre-se, o Café do Príncipe é a porta de entrada para a Cachoeira do Brás.

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De lá pra cá rodei por muitos lugares. Fui ao centro-oeste fazer trilha, tomar banho de cachoeira e assisti ao pôr do sol mais bonito da minha vida em Brasília. Acampei em Capitólio, vi os cânions do planalto central. Fui ao nordeste, conheci os Lençóis, as praias do Ceará e do Rio Grande do Norte. Conheci um pedaço da Europa, continente que todo brasileiro deveria conhecer. Faz entender na prática porque somos terceiro mundo.

Um dia acordei em Uberlândia com uma sensação estranha. Precisava voltar pra casa.Mas nenhum destes lugares é como o Caparaó.

Saí por aí de mochila, mas voltei, porque o Caparaó é onde me sinto em casa.

O Caparaó é o melhor lugar do mundo.

(Todas as fotos/vídeo, edição, e custos da viagem foram 100% financiados pelo Autor)

 

Ulisses Mochileiro

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