O Parque Nacional do Caparaó (PNC), na divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais, conta agora com uma lista de todas as espécies de plantas conhecidas em seu território. Foram identificadas, até o momento, 1.804 espécies de 200 famílias, distribuídas nos cerca de 31 mil hectares dessa Unidade de Conservação federal.

Lançada em 30 de março de 2020, a Lista de Plantas do Parque Nacional do Caparaó foi elaborada pela equipe do projeto interinstitucional “Redescobrindo espécies ameaçadas em Unidades de Conservação da Floresta Atlântica: bases para gestão, conservação e acesso à informação”, que já havia publicado, há um ano, a lista do Parque Nacional do Itatiaia.

A Lista do Caparaó é assim a segunda a integrar o Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil, outro produto do projeto. No Catálogo, cada espécie listada é relacionada ao material referente a uma amostra coletada dentro da UC (material testemunho), além de links para os sistemas da Flora do Brasil 2020, Reflora, Jabot e CNCFlora.

Na nova lista estão seis espécies consideradas prioritárias para conservação, ou seja, que foram coletadas pela última vez há mais de 50 anos ou só contam com um registro nas bases de dados consultadas. Entre elas estão uma orquídea, a Acianthera heringeri, criticamente em perigo de extinção, e a samambaia Grammitis fluminensis, também em perigo. Ao todo, 64 espécies que ocorrem no PNC estão classificadas como ameaçadas de extinção, como a Gaylussacia caparoensis (foto), espécie endêmica da Serra do Caparaó.

As orquídeas constituem a família mais rica do Parque Nacional do Caparaó, com 152 espécies, seguida pela das margaridas (Asteraceae), com 138 espécies, e as gramíneas (Poaceae) com 88 espécies. A Lista traz também novos registros para essa UC. Para a família Gesneriaceae, por exemplo, de que fazem parte as famosas violetas, foram levantadas cinco espécies que nunca haviam sido registradas no Parque.

Segundo a coordenadora do projeto, Tatiana Carrijo (UFES), um grande desafio no trabalho de estruturar a Lista de Plantas do Parque Nacional do Caparaó foi desenvolver protocolos que permitissem a busca de dados em diferentes bases de dados. “Além disso, a elaboração da lista contou com a colaboração de um maior número de taxonomistas especialistas na tarefa de confirmação da identificação dos materiais testemunho das espécies, em comparação com o Itatiaia”, explica a pesquisadora.

Para a pesquisadora Rafaela Forzza, integrante da equipe do projeto, conhecer a flora das Unidades de Conservação é essencial para uma melhor gestão da biodiversidade brasileira: “Há séculos os botânicos coletam e identificam as amostras destas áreas, mas nós precisamos levar isto de forma mais organizada para os gestores e público em geral. Este é um dos nossos objetivos neste projeto”.

Por causa da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), não foi possível fazer um evento de lançamento reunindo os representantes das nove instituições parceiras, que são a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC), a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), a Universidade de Vila Velha (UVV) e a Universidade de São Paulo (USP).

A equipe prepara agora a lista de espécies da flora da Floresta Nacional do Rio Preto (FLONA do Rio Preto). Esta será a última lista de espécies prevista no escopo do projeto realizado com recursos do CNPq, ICMBio e FAPES

 

Acesse a lista completa aqui

 

Fonte: http://jbrj.gov.br/node/1208

Via: @caminhantesdocaparao